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Grito de 'Porco' completa 40 anos e celebra virada histórica da torcida alviverde

Provocação que nasceu em 1968 foi abraçada pelas arquibancadas em novembro de 1986 e transformou um xingamento rival em símbolo de orgulho e conquistas do clube.

Por Redação Diário Palmeirense (Redação) · · 2 min de leitura
Grito de 'Porco' completa 40 anos e celebra virada histórica da torcida alviverde
Foto: Divulgação/Palmeiras

Neste dia 1º de novembro de 2026, comemora-se exatamente quatro décadas de um dos momentos mais marcantes da cultura palestrina. Em 1986, a torcida alviverde transformou um insulto pejorativo usado por rivais em um verdadeiro emblema de raça e paixão, ressignificando para sempre a identidade do clube nas arquibancadas.

A provocação surgiu originalmente em 1968, após um trágico acidente automobilístico que vitimou dois atletas do Corinthians. Na oportunidade, o rival dependia da concordância unânime dos concorrentes para registrar novos jogadores, mas a diretoria palmeirense foi a única a se opor. A recusa levou um jornalista a xingar o dirigente do clube de porco — termo pejorativo associado a fascistas na Segunda Guerra Mundial —, e o apelido foi prontamente adotado pelas torcidas adversárias.

A mudança de perspectiva começou a ser traçada em 1983 por iniciativa de João Roberto Gobbato, gerente de marketing que propôs assumir o animal como mascote. Embora os conselheiros mais conservadores tenham rechaçado o plano inicialmente, a torcida abraçou a ideia e passou a vender porquinhos de porcelana. Naquele momento, em meio a um incômodo jejum de dez anos sem taças após a perda da final paulista para a Inter de Limeira, o tradicional periquito parecia elitizado e distante da indignação popular.

A explosão nos clássicos e o abraço do elenco

O grito histórico ecoou pela primeira vez no Pacaembu em 29 de outubro de 1986, durante o triunfo por 1 a 0 sobre o Santos, decidido com gol de Mirandinha. Logo no clássico seguinte, contra o São Paulo, no primeiro dia de novembro daquele ano, torcedores já ocupavam as arquibancadas com faixas, máscaras e até um animal vivo no gramado. Naquele mesmo mês, a revista Placar consolidou a identidade ao estampar o meia Jorginho Putinatti com um leitão nos braços.

O antigo ídolo recordou a transição da irritação para o entusiasmo coletivo: "A gente ficava bravo quando os adversários falavam. Até que teve um clássico, em 86, e, quando entramos em campo, começou o 'Dá-lhe Porco'. O sentimento geral do grupo foi bom". Jorginho relembrou ainda que os atletas enxergaram na energia das arquibancadas uma motivação renovada para lutar por novas conquistas.

Trinta anos após a consagração popular, o clube oficializou em 2016 o suíno como segundo mascote, nomeando-o Gobatto em tributo ao idealizador original. Caracterizado com dentes de javali e expressão imponente, o símbolo abriu caminho para a fase mais vitoriosa do nosso Verdão, período marcado por 14 taças levantadas em dez temporadas, entre elas quatro edições do Brasileirão e duas da Copa Libertadores.

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