Paulo Nobre relembra bastidores da presidência do Palmeiras e sacrifícios na reconstrução
Ex-mandatário abordou os empréstimos ao clube, detalhou a tensão na decisão da Copa do Brasil de 2015 e cobrou respeito institucional aos rivais.
Figura fundamental na história recente do Palmeiras, o ex-presidente Paulo Nobre voltou a abordar abertamente os bastidores e os desafios de sua passagem pelo comando alviverde. Ao recordar o período em que esteve à frente da diretoria executiva, entre 2013 e 2016, o dirigente detalhou as renúncias pessoais que precisou fazer para reerguer a agremiação após um dos momentos mais delicados de sua trajetória centenária.
A ligação de Nobre com o Verdão começou ainda na infância, motivada pela admiração pelo goleiro Emerson Leão durante a Copa do Mundo de 1974. Associado ao clube desde 1983, ele ingressou no Conselho Deliberativo em 1997, passou por cargos na diretoria social e na vice-presidência até chegar ao cargo máximo em janeiro de 2013, assumindo a gestão logo após um rebaixamento nacional.
Empréstimos e sacrifício pessoal
Durante a sua gestão, Nobre aportou recursos próprios para manter as operações do clube diante da escassez de crédito bancário na época. O ex-dirigente rebateu as leituras de que estaria tentando comprar a instituição e explicou que as operações foram estruturadas como empréstimos formais com juros definidos, operação que defendeu ter sido indispensável para superar a asfixia financeira.
A dedicação exigida pela reconstrução institucional custou o afastamento temporário de seus negócios privados, de amigos e de sua atuação nos ralis, uma de suas grandes paixões fora do futebol. Nobre sintetizou o impacto desse desgaste em sua rotina diária: "Eu abri mão da minha vida por quatro anos".
Tensão em 2015 e postura institucional
Entre as memórias marcantes, a conquista da Copa do Brasil de 2015 contra o Santos evidenciou o lado torcedor do ex-mandatário. Incapaz de acompanhar a disputa por pênaltis pela televisão, Nobre permaneceu isolado no vestiário de costas para a tela e com as pernas bambas, desabando em choro apenas ao escutar o grito das arquibancadas no chute decisivo de Fernando Prass.
Por fim, o antigo presidente criticou o comportamento de dirigentes que evitam pronunciar publicamente o nome de adversários como Corinthians e São Paulo. Ao defender a separação entre rivalidade esportiva e respeito institucional, Nobre foi direto sobre a conduta dos cartolas: "Presidente de instituição não pode agir assim, cara, desculpa".



