Raízes italianas unem histórias de Palmeiras e Fluminense nos gramados
Duelo na Libertadores coloca em evidência a forte ligação de ambos os clubes com imigrantes da Itália e a preservação das memórias de suas fundações.

O confronto decisivo pela semifinal da Copa Libertadores reúne duas potências do futebol nacional que compartilham um elo histórico bastante particular: a marcante influência da imigração italiana. Embora trilhem trajetórias distintas dentro e fora de campo, Palmeiras e Fluminense carregam na própria identidade cultural fortes lembranças do país europeu.
Origem palestrina e preservação histórica
No caso do Verdão, a relação com a comunidade peninsular é direta e compõe a certidão de nascimento da agremiação. Nascido sob o nome de Palestra Itália pelas mãos de trabalhadores italianos em São Paulo, o clube rapidamente se consolidou como a principal representação esportiva daquela colônia na capital paulista.
O vínculo precisou ser reconfigurado em 1942, em meio à Segunda Guerra Mundial, período em que o governo de Getúlio Vargas proibiu alusões às nações do Eixo após o Brasil romper relações diplomáticas e declarar guerra à Itália e à Alemanha. A diretoria adotou então o nome Sociedade Esportiva Palmeiras em reconhecimento ao suporte concedido no passado pela Associação Atlética das Palmeiras. Apesar da mudança compulsória, o orgulho de sua linhagem permaneceu intacto ao longo das décadas.
Essa herança segue viva no cotidiano institucional alviverde. No dia 18 de setembro, o clube acolheu em suas instalações uma delegação diplomática da Itália, que contou com o subsecretário de Estado das Relações Exteriores, Massimo Dell’Utri, e o embaixador Alessandro Cortese.
Na oportunidade, o vice-presidente Paulo Buosi celebrou a aproximação oficial. “O Palmeiras é e sempre foi um clube de todos, que se orgulha de suas origens e mantém vivos os laços fraternos com a comunidade italiana”, afirmou o dirigente.
Simbolismo tricolor
Do lado carioca, a conexão com a península europeia manifestou-se a partir das cores oficiais. Originalmente fundado em cinza e branco pelo filho de um imigrante inglês, Oscar Cox, o Fluminense migrou em 1904 para o grená, branco e verde em virtude da escassez de tecidos cinzas. O novo fardamento, muito parecido com o estandarte italiano, atraiu a simpatia imediata de operários e comerciantes da colônia instalada no Rio de Janeiro.
Esse afeto consolidou-se nas bancas de jornais administradas por imigrantes na capital fluminense e perdura até hoje com torcedores adotando símbolos da Itália. O time das Laranjeiras também possui um retrospecto invicto contra agremiações italianas em 14 partidas, somando 11 vitórias e três empates, além de ter realizado um amistoso preparatório contra a própria seleção da Itália em 2014, quando acabou superado por 5 a 3.
Com informações de O Dia.



